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terça-feira, maio 02, 2006

Trabalho: first things first

A capa do DN noticia, sem ostentação, que «Emprego e pensões marcam discursos do 1º de Maio». Este título abrangente é o "guarda-chuva" da secção Nacional e aglutina as linhas de força das comemorações do 1º de Maio.
As comemorações que soaram mais alto foram, claro está, as da «CGTP em Lisboa e UGT no Porto contra política laboral» (Visão online)... Mas no que se refere ao mundo do trabalho existem outros temas e assuntos específicos que poderiam ser trazidos para a agenda mediática deste Dia do Trabalhador.
O mote do Dia Nacional da Prevenção e Segurança no Trabalho (28 de Março), por exemplo, ainda não teve tempo de arrefecer. O número de mortes por acidente de trabalho tem vindo a diminuir, é certo, mas também acompanha «o abaixamento da actividade económica, sobretudo na construção civil» (vd. SIC/Lusa). E se não existe em Portugal uma cultura de prevenção, talvez seja bom reflectir acerca da forma como a saúde, higiene e segurança têm sido apresentadas às empresas. Apesar da obrigatoriedade, «só este ano começaram a ser certificadas as empresas especializadas que vão apoiar grande parte das empresas portuguesas que não têm capacidade para criarem serviços próprios de prevenção e segurança» (Ibidem). Ora, quantas empresas que prestam serviços nesta área não se têm feito pagar por tais "serviços", sem que aos olhos do IDICT ou da IGT esses serviços estejam efectivamente assegurados nas empresas clientes? São "pormenores" que escapam, até acontecer o pior...

Foto: Copyright © Pedro BL 2006

Um caso real: o João teve um acidente de trabalho grave a meio da sua vida activa. Na altura, o seu vínculo laboral era precário e não tinha nenhum seguro de acidentes de trabalho. Ele a mulher, então desempregada e com dois filhos pequenos, suportaram a custo todas as despesas decorrentes daquele "azar"; João nunca foi indemnizado, ficou mutilado e, devido à perda de destreza, sofreu ao longo de mais de 20 anos inúmeros outros acidentes de trabalho "menores". Isto, até ao dia em que se reformou com 65 anos (sem apelo nem agravo), no final da sua carreira contributiva.
É certamente uma história entre milhares, ainda que da segurança esteja - hoje, como sempre esteve - na base da pirâmide das necessidades.
A protecção da integridade física e psíquica dos trabalhadores é, antes de mais, uma responsabilidade dos próprios, mas - convenhamos - nem sempre lhes são facultadas as condições e os equipamentos apropriados e "há que ganhar a vida"! Nestas circunstâncias, a diferença entre ganhar e perder a vida é por vezes muito ténue, como o é também onde se considerem garantidas as condições de trabalho necessárias e falte formação, sensibilidade, noção de risco a um trabalhador que seja.
Os responsáveis de comunicação têm aqui um importante papel a desempenhar: eles podem induzir a consciencialização e a mudança comportamental (com um nível adequado de conhecimento técnico) através dos canais de comunicação interna que se encontrem operacionalizados. Na BP Portugal, por exemplo, a primeira coisa que surge no monitor dos computadores quando estes são ligados pela manhã, é uma mensagem de segurança.

2Comentários

à s 12:38 da tarde, Blogger Vexata Quaestio disse...

Obrigado pelo seu comentário nas páginas do nosso VEXATA QUAESTIO.

Disponha quando quiser, é sempre muito bem vinda.

 
à s 7:58 da tarde, Blogger João Heitor disse...

Parabéns pelo Blog.
Muito profissional.
Muito diversificado.
JH

 

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