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terça-feira, outubro 13, 2009

Como Amar o Próximo?

Para muitos portugueses e também para marianos de todo o mundo, a 13 de Outubro é praticamente irresistível falar daquele amor altruísta, que motiva a minimização do sofrimento à nossa volta e a solidariedade para com quem precisa.

Hoje, em boa hora, a concepção, síntese e teste de um novo fármaco com propriedades analgésicas recebeu da Fundação Grünenthal Portugal um prémio no valor de 7500 Euros. A investigação premiada foi desenvolvida por uma equipa multidisciplinar de investigadores de Lisboa e do Porto, composta por Isaura Tavares, do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) e da Faculdade de Medicina do Porto, Marta Ribeiro e Miguel Castanho, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Na sequência deste prémio, foi registada uma patente e perspectiva-se já o extraordinário impacto dos desenvolvimentos registados na qualidade de vida de daqueles que diariamente padecem muito para além do que o comum dos mortais pode imaginar, com patologias às quais está associada dor crónica e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson.

Este Prémio distingue anualmente trabalhos de investigação biomédica que contribuam o avanço do conhecimento na área da Dor.

Do domínio da caridade, a angariação de fundos (Fundraising) é uma forma mais ou menos organizada de captar recursos e contribuir para a prossecução sustentada dos objectivos das mais diversas causas sociais.

Em sentido lato, continua a estar em causa uma questão de “amor ao próximo”, que apresenta um problema: este sentimento tem tanto de primário como de elevado. À semelhança de outros impulsos primários este amor é torpe e falível (por exemplo, quando a esmolazita e o donativo são “presentes envenenados”). Já enquanto sentimento nobre, este mesmo amor é escudado pela ética, à qual a história e o costume chegam mesmo conferir deferência jurídica. É o que acontece quando a prática moral se estabiliza e demonstra que um princípio ético se adequa ao enquadramento legal e à regulação de determinadas relações sociais.

O n.º 22 da Exit (publicação da Dianova) é dedicado precisamente ao tema do “Fundraising – Ética e Transparência na Angariação de Fundos”. De entre os artigos desta edição, correspondente ao trimestre de Outubro/Dezembro de 2009, será vantajoso ler os textos assinados por Cláudia Pedra, Managing Partner da Stone Soup - sobre "O dever ético na Angariação de Fundos" - e Margarida Vaz, Sócia da Baptista, Monteverde & Associados – Sociedade de Advogados RL, Assessora Jurídica da Dianova Portugal - sobre "O Fundraising nas Organizações sem Fins Lucrativos", um texto que revê a evolução da moldura político-legal da angariação de fundos no Terceiro Sector.

Talvez se estejam a cometer alguns erros por aí, com "boas intenções" daquelas que não enchem propriamente o Céu...

quinta-feira, outubro 01, 2009

Ele queria curar o mundo

Mesmo quem não sabe para que servem as relações públicas (e parece que em tempos de crise ainda há muita gente que não sabe); mesmo quem acha que “relações públicas” significa “falinhas-mansas”, “filho-do-patrão”, porteiro ou comercial; mesmo quem não liga a mínima à comunicação nem a outras "funções não-produtivas” sabe que uma mensagem adquire mais força quando sai da boca de alguém que a opinião pública conhece. Então se a mensagem tiver relevância de uma perspectiva de responsabilidade social tanto melhor, porque saímos todos a ganhar.
As marcas vão aprendendo umas coisas com as pessoas populares - com aquelas que têm alguma coisa relevante para dizer - e depois algumas marcas vão atrás dessa boa gente...



Na verdade, as marcas têm aprendido tanto que hoje são elas que colocam chavões sociais na boca das figuras públicas. E fazem-no com cautela, porque as marcas - à semelhança das pessoas - fogem da má reputação como o diabo da cruz!
A verdade acerca de Michael Jackson será porventura um difícil exercício jornalístico, mas os criativos da publicidade conseguem extrair a mensagem essencial da sua história de vida. Talvez não seja assim tão difícil.



Pena que outras mensagens corram o risco de ser silenciadas por questões de reputação (essa tal que é tão dura de construir e tão frágil como um castelo de cartas) quando o caçadores de troféus se multiplicam. Dos mercenários não me apetece falar, mas quanto às mensagens, se nos fazem dar as mãos e pôr os bracinhos no ar enquanto cantamos há que "desconfiar": se calhar, essas mensagens interessam às pessoas... Vale a pena ouvir (com ou sem braços no ar).



Não foi só a reputação de Michael Jackson que ficou virada do avesso com as acusações de abuso de menores, foi toda a sua vida.
Ele sonhava mudar o mundo através da arte e não só, porque os seus múltiplos talentos, recursos e capacidade de mobilização estavam ao serviço de um mundo melhor, que ele acreditava ser possível, acima de tudo, para as crianças. Ele queria literalmente "curar o mundo", começando pelas crianças. E este nosso mundo mediático não só não o curou das suas maleitas como o quis linchar, precisamente por gostar de crianças e poder ajudar muitas, como de facto ajudou (não estou mesmo a ver porque é que ajudar crianças havia de merecer castigo). É irónico, não?...
Agora parece que o sonho de Michael Jackson não pode ser continuado. Em vida, ele não se importava que a Heal the World Foundation (HTWF) prosseguisse esse sonho depois de atingido o objectivo inicial, mas anteontem o seu Estate instaurou um processo contra a Fundação, que quer curar o mundo com palavras demasiado caras para uma ONG.
Não sabem o que é que o Rei da Pop queria dizer com This is it? Aquela "coisa antiga", um bocado à Beatle... Não estão a ver?
Bom, é mais ou menos isto:
"It's all for love: L-O-V-E."
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Link para Press-release da HTWF

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